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Passear cães com a trela solta, e o que isso não é

Um labrador amarelo caminha com a trela folgada ao lado do dono numa rua neerlandesa tranquila, com a trela a formar um J suave

Última atualização:

Definition

Trela solta quer dizer que existe uma curva de fita entre a tua mão e o pescoço do cão durante quase todo o passeio. Não é obediência, não é andar ao pé nem posição de competição: o cão pode ir à frente, cheirar e parar, desde que não ponha a linha sob tensão. É a única forma de passear que não desgasta ninguém.

Vale a pena começar por dizer uma coisa sobre esta página. Em Portugal não há praticamente ninguém a procurar como se anda com a trela solta: todas as maneiras de escrever essa pergunta devolvem zero. O que existe são pessoas a pagar por um treinador, e há bastante procura por preços de treinadores de cães. Ou seja, a competência é reconhecida e não é pesquisada; contrata-se.

Escrevemos isto de qualquer maneira, curto, porque é o conceito que está por baixo de metade das outras páginas e porque quem chega aqui já sabe o que quer.

O que é, exatamente

Trela solta é um estado da linha, não uma posição do cão. Durante o passeio existe uma curva descontraída entre a tua mão e a coleira dele. O cão pode ir meio metro à frente, pode parar a cheirar um portão, pode mudar de lado. Nada disso é problema desde que a fita não fique reta.

É por isso que não é a mesma coisa que andar ao pé. Andar ao pé é uma posição precisa, com o ombro do cão à altura da tua perna, mantida por atenção contínua. Serve numa prova de obediência e é cansativa para os dois, e é a razão pela qual muita gente desiste: começa a treinar a posição e o passeio deixa de ser um passeio.

Porque é que interessa mais em Portugal do que parece

Interessa por causa do espaço. A calçada portuguesa típica tem um metro de largura, é de pedra polida que fica escorregadia com chuva, e tem um muro de um lado e carros do outro. Nas subidas de Lisboa e do Porto o cão trabalha em vantagem mecânica.

Numa rua assim não há margem para negociar: se o cão vai à frente com a fita esticada, tu vais atrás dele e ele decide o passeio. A trela solta não é um luxo de treino, é o que faz uma rua estreita ser praticável.

Como se pratica

A regra é uma só: linha esticada nunca dá progresso.

Andas. Quando a fita fica reta, paras completamente e ficas quieto, sem falar e sem puxar de volta. No instante em que a tensão alivia, mesmo que seja porque o cão olhou para trás, avanças. Repetes.

Não estás a corrigir um erro, estás a mudar a economia do passeio. Antes, esticar dava avanço; agora, aliviar dá avanço. O cão não precisa de compreender nada disto para o aprender.

Onde treinar, e por esta ordem

Primeiro em casa ou no quintal, dois minutos, para o cão descobrir a regra sem nada por perto. Depois numa rua vazia à hora em que ninguém sai. Depois num parque com distrações a alguma distância. E só no fim na calçada estreita à hora de ponta, que é o exame e não a aula.

Duas semanas de sítios fáceis poupam meses de frustração num sítio difícil.

O que costuma dar errado

A primeira coisa é haver duas versões da regra em casa. Basta uma das pessoas ceder de vez em quando para o cão passar a jogar à lotaria, e um comportamento reforçado ao acaso é bem mais resistente do que um reforçado sempre. Ou combinam a regra os dois, ou é melhor ser só um a passear durante estas semanas.

A segunda é a duração. Vinte minutos de trela solta bem feitos valem mais do que uma hora em que se desiste ao décimo minuto. Melhor um passeio curto certo e depois um passeio longo em sítio amplo, onde a fita não fica esticada de qualquer maneira.

A terceira é começar por um cão que não está a puxar por aprendizagem, mas a atirar-se porque viu outro cão. Isso é outro problema, com outra causa, e está noutra página.

O material que ajuda, e o que não ajuda

Ajuda uma trela de comprimento fixo. As nossas têm 1,5 m e não têm mola: em qualquer momento sabes onde está o cão e a fita não lhe está a dizer nada que tu não tenhas decidido.

Não ajuda uma trela extensível, que é a compra mais comum em Portugal. Uma mola cede sempre que o cão avança, e portanto recompensa a tração de forma contínua enquanto tu tentas fazer o contrário.

Também não ajuda uma trela de treino de dez metros, que é uma peça para outro fim, nem uma trela de mãos livres à cintura, que tira sensibilidade à linha, nem uma trela dupla para dois cães, que não fazemos. Nada disto é um julgamento sobre essas peças: é que nenhuma delas serve para esta aprendizagem.

E a coleira

A coleira não ensina isto e nunca vamos dizer que ensina. A função dela é outra: leva o nome do teu cão bordado, até dez caracteres, e a chapa com o teu número. Num cão pesado que ainda está a aprender, escolhe a fita mais larga da linha que serve o pescoço dele, porque nas semanas de treino vão acontecer puxões e o pescoço agradece a área. A fivela é ensaiada a 360 kg, o que é margem de construção e não uma previsão sobre o teu cão.

Se em algum momento isto se tornar demasiado, um treinador resolve em poucas sessões o que uma página não resolve, porque vê o teu cão e a tua rua.

360 kg / 907 kg: Especificação Squffy. Norma de ensaio e relatório laboratorial ainda não publicados.

Perguntas frequentes

Trela solta é o mesmo que andar ao pé?
Não. Andar ao pé é uma posição precisa junto à tua perna, mantida por atenção contínua, e serve para provas. Trela solta é apenas a linha sem tensão: o cão pode ir à frente, cheirar e parar. É muito menos exigente para os dois e é o que serve num passeio real.
Quanto tempo leva a aprender?
Semanas, e depende de quanta prática o cão tem no sentido contrário. Um cachorro aprende em dias porque não tem hábito nenhum. Um cão de seis anos que sempre avançou com a fita esticada leva mais tempo, e a variável que mais conta é a consistência de todas as pessoas de casa.
Tenho de parar mesmo? Parece exagerado.
Tens, e nos primeiros dias vais andar poucos metros em muitos minutos. É o único momento em que o cão consegue notar que a regra mudou. Se em vez disso puxares de volta, ele encosta-se à pressão por reflexo e não aprende nada.
Posso praticar na rua onde moro?
Só depois. Se essa rua for calçada estreita com muro e carros, é o cenário mais difícil que existe e não é onde se começa. Faz duas semanas num sítio largo e vazio e deixa a rua de casa para o fim.
Que trela devo usar?
Uma de comprimento fixo. As nossas são de 1,5 m e não têm mola. Uma trela extensível trabalha contra ti porque cede quando o cão avança, e uma linha longa de treino serve para outra coisa completamente diferente.
A coleira certa facilita?
Não ensina nada, e é honesto dizê-lo. O que muda com uma fita mais larga é a distribuição da força durante os puxões que vão acontecer no caminho, e isso é conforto do cão, não aprendizagem.
E se ele só esticar a linha ao ver outro cão?
Então não é isto. Uma linha que estica porque o cão quer chegar a um sítio é aprendizagem sobre como se avança. Uma linha que estica porque apareceu outro cão é uma reação, e o trabalho aí é sobre distância e não sobre tensão. Está tratado na página sobre ladrar a outros cães na rua.

Sobre este artigo

A Anna escreve como fala: acessível, direta e fácil de acompanhar. Os seus textos falam da vida real com cães: patas cheias de lama por toda a casa, cachorros que roem tudo o que encontram ou um cão que salta para uma po

Este artigo foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Anna de Jong, Autora de vida com cães · Amesterdão. Supervisão editorial: Laura de Wit.

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Referências (5)
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