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Squffy

O teu cão ladra a outros cães na rua e em casa é um santo

Um border collie cruzado, calmo, com uma coleira Classic para cão Olive Green passa por um ciclista num caminho de canal neerlandês, a olhar para o dono

Última atualização:

Definition

Ladrar e atirar-se a outros cães quando está à trela chama-se reatividade. Não é agressividade nem falta de educação: à trela o teu cão não pode fazer a curva que faria solto, nem afastar-se, por isso faz-se grande. Por baixo está medo ou frustração, e saber qual dos dois muda o que ajuda.

Estás a subir uma rua estreita, aparece outro cão a cinquenta metros e o teu começa a ladrar, a puxar e a levantar-se nas patas de trás até passarem. Em casa deita-se ao teu lado. No parque, solto, brinca sem problema. É só à trela que corre mal.

Isto tem nome e tem explicação, e a explicação não é nenhuma das duas que te vão dizer na rua.

Porque é que só acontece à trela

Dois cães que se encontram soltos têm opções. Podem descrever uma curva um em volta do outro, cheirar dois segundos e seguir. Podem virar a cara e ignorar. Essa curva é comunicação normal entre cães e resolve a maior parte dos encontros antes de haver alguma coisa para resolver.

À trela desaparecem todas as opções ao mesmo tempo. O teu cão está preso a um metro e meio de fita, tu vais em frente pela calçada, e à esquerda há um muro e à direita carros estacionados. Não pode fazer a curva, não pode afastar-se e só pode ir para a frente, que é precisamente a direção que não quer.

O que sobra é fazer-se grande: ladrar, esticar-se, ocupar espaço, na esperança de que o outro desapareça. E funciona, porque o outro cão passa mesmo. Do ponto de vista do teu, o barulho resolveu, e da próxima vez começa mais cedo e mais alto.

Não é dominância

Vais encontrar muita explicação online sobre liderança e sobre quem manda em casa. Essa teoria não explica por que razão o mesmo cão, sem trela, brinca sem drama nenhum. Não é a hierarquia que muda quando lhe pões a fita no pescoço: é o número de saídas.

Medo ou frustração, e como se vê a diferença

São as duas causas comuns e de fora parecem iguais. Não olhes para o ladrar. Olha para o que acontece no momento em que o outro cão já passou.

Na frustração desliga depressa. O teu cão sacode-se, volta a cheirar o chão e segue como se nada fosse. Antes do episódio o corpo dele foi para a frente, cauda alta, orelhas em frente. Ele queria chegar lá e não chegou.

No medo fica a ressonar. Continua a olhar por cima do ombro, mantém-se tenso, e não aceita um pedaço de comida que em casa aceitaria sem pensar. Antes do episódio o corpo foi para trás ou congelou. Podes ter visto a cauda baixa, o lamber de lábios, o bocejo fora de contexto ou muito branco do olho.

Essa última é a mais fiável de todas: um cão que deixa de comer na rua está em stress, não está entusiasmado. Vale a pena procurar os sinais de medo com atenção, porque é isso que decide a estratégia.

O que ajuda de verdade

A peça central não é ensinar a não ladrar. É a distância. Todos os cães têm uma distância a que conseguem ver outro cão sem perderem a cabeça. Dentro dela já não pensam; fora dela ainda pensam. Todo o trabalho se faz fora dela.

Na prática: se vires o outro cão antes de o teu o ver, passa imediatamente para o outro lado da rua, mete-te atrás de um carro estacionado ou de um contentor, e dá comida boa ao teu cão enquanto o outro estiver à vista. Não estás a prometer-lhe que o ladrar acaba. Estás a ensinar-lhe que um cão ao longe significa uma coisa boa e que ele não tem nada para resolver.

Isto leva semanas, não uma volta ao quarteirão. Escolhe horas e sítios com poucos cães, mesmo que pareça desistir: vinte passeios calmos ensinam mais do que um em que ele passa três vezes dos limites. Nas cidades portuguesas a hora resolve metade do problema, porque às sete da manhã as ruas estão vazias e às sete da tarde estão cheias.

Pede ajuda, e não é sinal de fraqueza

Reatividade é um problema de comportamento e não de material. Em Portugal já há bastante gente a procurar treinadores de cães e a comparar preços, e é dinheiro bem gasto: um profissional que trabalhe com reforço positivo identifica em poucas sessões qual das duas causas tens e calcula a distância contigo, ao vivo, o que nenhuma página consegue fazer.

Se o teu cão estiver de tal maneira mal que passear já não é possível, fala também com o teu médico veterinário. Há casos em que a medicação é a diferença entre poder treinar e não poder.

O que o açaime e as coleiras não fazem

Em Portugal, quando um cão ladra, o primeiro reflexo é procurar um açaime: é uma pesquisa com tópico próprio, açaime para cão não ladrar. Vale a pena dizê-lo sem rodeios: um açaime não impede um cão de ladrar. Impede-o de morder, o que é uma função legítima e completamente diferente. Um cão com açaime que sente medo continua a sentir medo, apenas sem uma das suas ferramentas.

O mesmo vale para as coleiras anti-latido. Não vendemos nenhuma e não tomamos posição legal sobre elas aqui. E não te vamos vender uma coleira nossa como solução: nenhuma coleira, trela ou peitoral resolve reatividade.

O que o equipamento faz é decidir com que segurança atravessas essas semanas. Um cão que se atira em frente concentra muita força num ponto durante um segundo, e uma fita mais larga distribui-a por mais pescoço. Se isso acontecer muitas vezes, passeia com peitoral e deixa a coleira a fazer a identificação, com o nome dele bordado e a chapa com o teu número.

E não tires o aviso. Um cão que ladra está a dizer-te que não está bem antes de fazer mais nada. Um cão a quem se ensinou a não ladrar continua a não estar bem, só que agora sem avisar.

Perguntas frequentes

Porque é que o meu cão ladra a outros cães à trela e solto brinca?
Porque a trela lhe tira as opções. Solto ele faz uma curva, cheira e segue; à trela não pode fazer curva nem afastar-se, e a única direção disponível é para a frente. Fazer-se grande é o que sobra, e como o outro cão acaba por passar, funciona do ponto de vista dele.
Isto é agressividade?
Não, e também não é dominância nem má educação. Se fosse uma questão de quem manda, o mesmo cão solto também não brincaria normalmente. Por baixo está medo, quando ele preferia não se encontrar com o outro, ou frustração, quando queria muito e não pode.
Como sei se é medo ou frustração?
Olha para o depois, não para o ladrar. Na frustração desliga depressa: sacode-se, cheira o chão, segue. No medo fica tenso, olha por cima do ombro e recusa comida que em casa aceitaria. Essa recusa é o sinal mais fiável de todos.
Um açaime resolve?
Não. Um açaime impede que o cão morda, o que é útil por outras razões, e não tem qualquer efeito sobre o ladrar. Em Portugal é o primeiro reflexo de muita gente e é o reflexo errado para este problema.
Trocar de coleira ou pôr um peitoral ajuda?
Não resolve, e ajuda de outra maneira. O material decide com que segurança passas as semanas de trabalho: uma fita mais larga distribui melhor a força de um puxão e um peitoral tira essa força do pescoço. A causa não está no equipamento e não se resolve lá.
Devo ir a sítios com muitos cães para ele se habituar?
Não. Habituação com o cão acima dos limites não é habituação, é repetir o episódio. Escolhe horas e ruas vazias durante algumas semanas e trabalha sempre à distância a que ele ainda consegue pensar, mesmo que essa distância seja o outro lado da avenida.
Vale a pena procurar um profissional?
Vale, e é o melhor conselho desta página. Um profissional com reforço positivo vê ao vivo qual é a causa e qual é a distância, e ajusta o plano ao teu cão e à tua rua. Em Portugal há treinadores em quase todas as cidades e os preços comparam-se com facilidade.

Sobre este artigo

A Anna escreve como fala: acessível, direta e fácil de acompanhar. Os seus textos falam da vida real com cães: patas cheias de lama por toda a casa, cachorros que roem tudo o que encontram ou um cão que salta para uma po

Este artigo foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Anna de Jong, Autora de vida com cães · Amesterdão. Supervisão editorial: Laura de Wit.

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Referências (5)
  1. [1]Shih, H-Y., Paterson, M. B. A., & Phillips, C. J. C. (2019). Stress signals during dog walking and the effect of leash tension. Applied Animal Behavior Science, 215, 64-70.
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