O mosquetão da trela: não é um fecho de sapo

Última atualização:
Definition
O gancho na ponta da trela chama-se mosquetão. No modelo Tactical é uma peça metálica de duas linguetas que fecha sob carga e abre com um aperto de uma só mão, ensaiada a 907 kg na trela. O fecho da coleira é outra peça completamente diferente, uma fivela de abertura rápida com o seu próprio ensaio.
Comecemos por um erro nosso, porque é mais honesto do que começar por um argumento de venda. Em alguns sítios do nosso próprio site esta peça aparece como fecho de sapo. Isso é uma tradução literal do inglês, onde a peça se chama frog clasp, e em português não quer dizer nada: sapo é um anfíbio e ninguém em Portugal ouviu falar de um fecho de sapo. Está registado para corrigir.
A palavra portuguesa é mosquetão, com cerca de mil pesquisas por mês, e é a palavra que qualquer pessoa que já andou de trela usa.
Cuidado com a palavra, no entanto
Mosquetão em Portugal é sobretudo equipamento de escalada e porta-chaves. Se olhares para o que as pessoas procuram, encontras mosquetão de escalada, mosquetão inox, mosquetão do Decathlon e mosquetão porta-chaves, e a combinação com cães praticamente não aparece.
Portanto, para ser claro desde a primeira linha: estamos a falar do gancho metálico que está na ponta da trela e que se prende à argola em D da coleira. Não é uma peça de alpinismo e não é certificada para segurar pessoas.
Como funciona o de duas linguetas
Fechado, uma lingueta plana metálica com dois ressaltos entra numa caixa e duas molas empurram as linguetas para fora, encaixando-as em fendas correspondentes. Quanto mais o cão puxa, mais fundo os ressaltos assentam: a carga passa por metal encostado a metal e não por atrito nem por flexão de plástico.
Aberto, aperta-se as duas linguetas ao mesmo tempo, para dentro. Os ressaltos saem das fendas e a lingueta desliza para fora. Uma mão, dois segundos.
Porque é que são duas e não uma
Um fecho de uma só lingueta abre com um empurrão, como o cinto de segurança de um carro. É cómodo para uma pessoa e é um risco numa trela: um ramo, o batente de um portão ou o dente de outro cão podem acertar nesse botão e libertar a trela no meio da rua.
Com duas linguetas é preciso pressão em sentidos opostos ao mesmo tempo, e isso não acontece por acidente. É a mesma lógica das tampas de frascos de medicamentos: exige uma coordenação que o mundo não faz sozinho.
E porque é que isso importa numa emergência
Há dois casos concretos em que abrir depressa vale mais do que tudo o resto. Um cão que se enrola numa rede ou num arame com a trela ainda presa, e uma trela que passa debaixo da roda de um carro ou de uma bicicleta. Nos dois, o que decide é conseguires libertar o cão com uma mão enquanto a outra o segura.
As linguetas de um mosquetão deste tipo ficam na face de fora da peça, o que as torna mais difíceis de bloquear com areia ou com barro do que um botão encaixado numa ranhura.
Os 907 kg pertencem à trela
Este é o ponto que mais vezes aparece mal escrito na Internet, incluindo em páginas nossas em inglês, e vale a pena fixá-lo.
O mosquetão da nossa trela Tactical (Feito pela Squffy) é ensaiado a 907 kg. A coleira não fecha com esta peça: fecha com uma fivela de abertura rápida, que tem outro ensaio, outra construção e outro número. Nunca associes 907 kg a uma coleira: o número é da trela.
E o que o número quer dizer é limitado, por isso convém dizê-lo. Não significa que o teu cão possa exercer essa força, nem perto. Significa que a peça trabalha muito longe do seu limite. Antes de o mosquetão ceder, cede a costura da trela, cede a fita, cede a argola e cede a tua mão. É uma margem de construção e não uma característica do animal.
O material, e a pergunta que se segue
O mosquetão é de liga de zinco, como o resto das ferragens. Quem já comprou um mosquetão inox no Decathlon vai perguntar porque não é inoxidável, e a resposta é a peça: a nossa é fundida em molde, o que dá uma geometria consistente de unidade para unidade, e a resistência resolve-se pelo dimensionamento e não por trocar de metal.
A contrapartida é honesta: uma liga de zinco oxida à superfície e num ar salgado nota-se. Depois do mar, um pano seco. Não te vamos prometer que o metal fica igual ao longo dos anos.
Como saber qual tens
Olha para a ponta da tua trela. Se vires um gatilho que se empurra para dentro com o polegar, é o clipe comum de mola. Se vires duas linguetas laterais que se apertam entre o indicador e o polegar, é o de duas linguetas.
O comum não é mau: numa trela para um cão de dez quilos que anda ao lado, funciona anos. A diferença aparece com peso e com frio, porque os plásticos ficam mais frágeis a baixas temperaturas, o que em Portugal só conta numa madrugada de janeiro na Beira Alta ou na Serra.
360 kg / 907 kg: Especificação Squffy. Norma de ensaio e relatório laboratorial ainda não publicados.
Perguntas frequentes
7 perguntasComo se chama esta peça em português?
Os 907 kg são da coleira ou da trela?
O que é que 907 kg querem dizer, na prática?
Porque é que tem duas linguetas em vez de um botão?
É um mosquetão de escalada?
É de aço inoxidável?
Posso trocar o mosquetão da minha trela?
Sobre este artigo
A Laura olha para os cães com mais profundidade e atenção. Fascinam-na o comportamento canino, a comunicação e a ligação entre pessoas e animais. Nos seus artigos explica por que razão os cães se comportam como se compor
Este artigo foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Laura de Wit, Comportamento e bem-estar canino · Eindhoven. Supervisão editorial: Anna de Jong.
Última revisão:
Referências (4)
- [1]Carter, A. & Hall, S. E. (2018). Mechanical failure modes of polymer side-release buckles in pet hardware. Journal of Polymer Engineering, 38(7).
- [2]International Maritime Organization (2017). Personal safety hardware standards: toggle and frog clasp specifications. IMO Guidelines.
- [3]Hedlund, C. S. (2002). Surgical management of complications associated with collar use in dogs. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 32(4).
- [4]ASTM International (2020). Standard Specification for Quick-Release Hardware in Restraint Applications. ASTM F1774.
Artigos relacionados

Peitoral ou coleira: para que serve cada um, na verdade
Um olhar honesto sobre aquilo em que um peitoral é realmente melhor, aquilo em que uma coleira é melhor, e como decidir, escrito por um estúdio que só faz um dos dois.

Fita reforçada: o que reforçar quer dizer numa banda tecida
Onde é que uma coleira realmente cede, porque é que a costura decide mais do que o material, e a resposta honesta à pergunta que está por baixo desta.

A pega de controlo é para dois segundos, não para o passeio
Onde é que uma pega faz diferença numa cidade portuguesa, porque é que segurar por ela durante um passeio é má ideia, e em que linha existe.

A fivela de uma coleira, explicada com o cinto do carro
O que uma fivela de duas fases faz que uma de plástico não faz, o que o número de 360 kg significa, e porque é que em Portugal a palavra fivela quase nunca é sobre cães.

Coleira Tactical: para que serve, e para que não serve
O que muda numa coleira feita para um cão de quarenta quilos, e três coisas que ela não é: equipamento legal, solução para quem puxa, e base para pins.


