Ponto cheio: porque é que a letra é preenchida e não contornada

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Definition
Ponto cheio é o ponto que preenche uma forma com pontos paralelos muito juntos, lado a lado, em vez de a desenhar a traço. Numa letra pequena numa banda estreita é o único ponto que resolve o problema: dá massa suficiente para se ler de longe e mantém a superfície lisa, sem picos onde alguma coisa possa pegar.
Esta é a única página deste conjunto que fala de uma técnica de bordado pelo nome, e vale a pena começar por uma ressalva honesta: pouca gente vai procurar por ela. Ponto cheio sozinho não devolve procura registada, e o calque ponto de cetim também não. A única expressão desta família com volume é ponto cheio Caldas da Rainha, que é uma tradição de bordado de uma cidade portuguesa.
Ou seja: o termo existe em português e vive num contexto de artesanato. É a palavra certa e não é uma palavra de loja, e por isso vamos explicá-la em vez de a assumir.
O que é, em palavras simples
Imagina que queres pintar a letra M numa parede. Podes desenhar o contorno com um pincel fino e deixar o interior vazio, ou podes preencher o traço todo de tinta.
Em bordado, preencher é isto: pontos paralelos, muito juntos, assentes lado a lado ao longo da largura do traço, de forma a que a linha cubra a superfície inteira. Vista de cima, a letra parece feita de fio contínuo e não de pontinhos, e é dessa aparência lisa que vem o nome antigo em outras línguas, que compara o efeito ao cetim.
Em português diz-se ponto cheio, que é uma descrição melhor: a forma está cheia.
Porque é que uma letra contornada não serve numa coleira
Há três razões e nenhuma é estética.
A primeira é a distância. Uma letra contornada tem menos linha, portanto menos massa, portanto menos contraste contra a fita. A três metros, que é a distância a que alguém lê o nome do teu cão na rua, um contorno fino desaparece e um traço cheio não.
A segunda é o tamanho. Numa letra de poucos milímetros de altura, o contorno e o interior ficam tão próximos que se juntam visualmente e a letra fecha-se: um O contornado lê-se como um borrão redondo.
A terceira é a superfície. Um preenchimento denso e paralelo dá uma superfície lisa e baixa. Pontos soltos e cruzados deixam laçadas mais altas, e numa coleira uma laçada alta é uma coisa por onde uma unha, um dente ou um ramo pode pegar.
O que decide se fica bem feito
Duas coisas que não se vêem.
A densidade. Pontos demasiado afastados deixam ver a fita por entre a linha e a letra parece gasta desde o primeiro dia. Pontos demasiado juntos empilham linha em excesso na mesma zona, tornam a letra rígida e furam o entrelaçado mais vezes do que é necessário.
E a direcção. Os pontos correm ao longo da largura do traço e não ao longo do comprimento da letra, o que faz a luz bater neles todos da mesma maneira. É isso que dá o brilho uniforme; pontos com direcções misturadas dentro da mesma letra criam manchas que parecem defeito.
Onde é que o ponto cheio deixa de ser a resposta
Num traço largo. Se a barra de uma letra for muito espessa, um ponto cheio a atravessá-la de lado a lado fica com fio comprido a descoberto, que enrola e pega. Aí a solução é outro tipo de preenchimento, com pontos curtos alternados, e por isso as letras muito gordas não são a melhor escolha numa coleira que vai andar todos os dias contra o pelo de um cão.
Onde é que Portugal já conhece isto
Nas tradições de bordado do país. Caldas da Rainha tem a sua, o bordado de Castelo Branco é seda sobre linho com preenchimentos densos, e os bordados de Viana e da Madeira têm os seus próprios repertórios de pontos. Nada disso é sobre cães e é tudo trabalho manual, mas é a mesma ideia: encher a forma com fio até ela existir por si.
A nossa versão é feita à máquina, sobre fita de nylon, com um nome curto. Mesma ideia, escalas diferentes.
Como verificar num nome que já tenhas
Olha para uma letra de perto, à luz de uma janela. Deves ver linha a atravessar o traço de um lado ao outro, muito junta, e não deves ver a fita por entre a linha. Passa a unha por cima: deve estar liso, e não deves sentir laçadas soltas nem um degrau na borda.
Depois afasta-te três metros e lê o nome. Se se ler, o preenchimento e o contraste estão bem escolhidos; se não se ler, quase sempre o problema é o contraste com a fita e não o ponto.
E uma nota sobre o que decide mais do que o ponto
Se tivesses de escolher uma coisa para acertar, não seria esta. Um ponto cheio impecável numa linha creme sobre uma fita bege não se lê a três metros, e um preenchimento apenas razoável numa linha creme sobre preto lê-se do outro lado da rua.
Em Portugal esse efeito é maior do que em climas com menos luz. Ao meio-dia de agosto o sol reduz a diferença aparente entre dois tons próximos, e uma combinação escolhida dentro de uma loja pode desaparecer no primeiro passeio da tarde.
Escolhe primeiro o contraste e só depois pensa em técnica. É o conselho menos técnico desta página e é o que muda mais.
Perguntas frequentes
7 perguntasO que é o ponto cheio, em duas linhas?
Diz-se ponto cheio ou ponto de cetim?
Porque é que as letras não são contornadas?
Como sei se o preenchimento está bem feito?
Mais denso é melhor?
Serve para qualquer tipo de letra?
É o mesmo que o bordado da Madeira ou de Castelo Branco?
Sobre este artigo
A Laura olha para os cães com mais profundidade e atenção. Fascinam-na o comportamento canino, a comunicação e a ligação entre pessoas e animais. Nos seus artigos explica por que razão os cães se comportam como se compor
Este artigo foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Laura de Wit, Comportamento e bem-estar canino · Eindhoven. Supervisão editorial: Anna de Jong.
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Referências (4)
- [1]Gandhi, K. L. (2019). Woven Textiles: Principles, Technologies and Applications (2nd ed.). Woodhead Publishing.
- [2]Roy Choudhury, A. K. (2017). Principles of Textile Finishing. Woodhead Publishing.
- [3]Kadolph, S. J. (2013). Quality Assurance for Textiles and Apparel (2nd ed.). Fairchild Books.
- [4]Tang, K. P. M., Kan, C. W., & Fan, J. T. (2014). Evaluation of stitch appearance on fabrics with embroidery: a review. Textile Research Journal, 84(15).
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