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Sal, areia e sol: o que acontece à coleira depois do verão

Uma coleira para cão Cognac Brown bordada e uma coleira Olive Green gravada, lado a lado sobre uma mesa de madeira do estúdio

Última atualização:

Definition

Numa coleira portuguesa o desgaste vem de três coisas: água salgada, areia dentro do entrelaçado e sol direto durante meses. O metal é o que primeiro perde brilho, a cor tecida é o que perde intensidade a seguir, e a linha bordada é a parte que menos se altera, porque está dentro da fita e não por cima dela.

Portugal tem quase novecentos quilómetros de costa atlântica e as praias que aceitam cães enchem-se de maio a setembro. Isso quer dizer que uma coleira portuguesa não tem a vida de uma coleira do interior da Europa: entra na água salgada, sai com areia agarrada e seca ao sol direto, muitas vezes no mesmo dia e muitas vezes seguidas.

Se quiseres bordar um nome numa peça que vai passar por isto, vale a pena saber por que ordem as coisas cedem.

Primeiro cede o metal, e a pergunta é essa

De todas as dúvidas sobre materiais que os portugueses escrevem no Google, a que aparece com mais força é se a liga de zinco oxida. Cerca de duzentas por mês, mais as variantes sobre escurecer. É a pergunta certa, e a resposta curta é que oxida à superfície e perde brilho, sem ganhar pátina nem mudar de tom.

A liga de zinco não enferruja como o ferro, porque não tem ferro dentro, e não ganha pátina como o latão. Oxida à superfície, e num ambiente com sal isso acontece mais depressa. O que se nota não é ferrugem laranja nem uma mudança de tom: é perda de brilho, com marcas de sal seco nos cantos onde a água fica presa. Um pano seco depois da praia atrasa muito isto e não custa nada.

Nas chapas o material é outro, aço inoxidável banhado a ouro de 18K, e o comportamento também: o inoxidável resiste bem à água salgada, e a camada de ouro é fina e está lá pelo tom, não pela proteção.

Depois cede a cor da fita

A segunda coisa a mudar é o tom da fita, e é uma questão de horas de luz acumuladas. Uma coleira que vive na rua todos os dias de julho e agosto acumula mais exposição num verão do que outra acumula em três anos de inverno no Minho. O tom não desaparece de repente: fica ligeiramente mais claro e uniforme, e nota-se sobretudo se puseres a peça ao lado de uma nova.

Não vamos escrever que a nossa fita não altera a cor. Neste país seria a frase menos credível da página.

A linha é a parte que menos se altera

Aqui há uma diferença de construção que vale mais do que qualquer promessa. Quando se borda um nome, a linha atravessa o entrelaçado da fita e fica presa nele. Não existe uma película assente em cima, e uma película é sempre a primeira coisa a levantar num sítio que se molha, dobra e raspa.

É a mesma razão pela qual o nome bordado numa bata de escola continua legível depois de dois anos de máquina, muito depois de os transferes na mesma peça terem começado a estalar. Não é a linha ser especial, é o sítio onde ela está.

Areia é abrasivo, não é sujidade

Este é o ponto que ninguém escreve e que na costa portuguesa é o que mais estraga peças. A areia entra entre os fios da fita e fica lá. Depois o cão anda, a fita dobra, e cada dobra move grãos duros contra os fios. Não é a água salgada que gasta a fita: é a areia que ela deixou lá dentro.

Por isso passar a coleira por água doce depois da praia não é limpeza cosmética, é a única coisa nesta página que muda de facto a duração da peça. Água morna, com os dedos a abrir o entrelaçado, e a secar à sombra.

Como lavar, sem inventar nada

Água tépida e sabão neutro, à mão. Esfrega a fita sobre si mesma para tirar o que está entre os fios, passa bem e seca à sombra e nunca no radiador nem ao sol direto. Não uses lixívia nem amaciador, que ficam nos fios. A chapa limpa-se com um pano húmido; não a metas em produtos de polir metais, porque a camada de ouro é fina.

Porque é que não te damos anos

Verias com facilidade uma página a prometer cinco anos, ou oito. Nós não sabemos, e ninguém sabe, porque depende de um cão que nada todos os dias no Algarve ou de um cão que dá duas voltas ao quarteirão no Porto. Um número inventado só serve para nos comprometer com uma coisa que não controlamos.

O que podemos dizer é o que está feito de quê e por que ordem se nota o uso: brilho do metal primeiro, cor da fita depois, linha por último.

O verão do interior é outro problema

Falámos de mar porque é o caso mais comum, mas metade do país tem o oposto. No Alentejo e na Beira, em agosto, o desgaste vem de pó fino, que se comporta como areia: entra no entrelaçado, fica lá e trabalha em cada dobra.

O calor no metal tem um efeito prático que vale mencionar. Uma fivela que ficou ao sol num carro fechado queima, e o primeiro sítio onde um cão sente isso é o pescoço. Antes de pôr a coleira depois de uma viagem, encosta-lhe os dedos.

Quando vale a pena substituir, e o que se substitui

Há uma hierarquia útil aqui. A peça mais barata de trocar é a chapa, e é também a que carrega a informação que muda, como um número de telefone. A seguir vem a trela. A coleira é a peça mais cara de repetir, porque leva o bordado.

Isso sugere uma ordem de compra: põe na chapa o que pode ficar desatualizado e na fita o que nunca muda, que é o nome do cão.

Perguntas frequentes

Posso levar a coleira ao mar?
Podes, e é para isso que serve uma fita de nylon. O que faz diferença é o depois: passa por água doce no mesmo dia, abre o entrelaçado com os dedos para sair a areia e seca à sombra. O sal sozinho faz pouco; o sal com areia lá dentro é que gasta.
As ferragens vão escurecer?
Não da maneira que o latão escurece: a liga de zinco não ganha pátina e não muda de tom. O que acontece é perda de brilho, mais depressa em ar salgado, e marcas de sal nas dobras que saem com um pano. Não te prometemos que fique como no primeiro dia.
Posso pôr a coleira na máquina de lavar?
Não recomendamos. O tambor bate as ferragens contra a cuba e o programa quente é pior para a cor do que qualquer passeio. À mão, com água tépida, leva dois minutos e faz melhor trabalho porque consegues abrir a fita.
A cor vai perder intensidade ao sol?
Ao longo de vários verões, sim. É assim com qualquer cor tecida e é uma questão de horas de luz acumuladas mais do que de anos de calendário. Guardar a coleira fora do sol quando não está no cão é o que mais atrasa.
E o bordado, desvanece também?
A linha está cosida dentro da fita, sem camada por cima que possa descolar, e é a parte em que se nota menos uso. Não é uma promessa de que fica igual para sempre: é uma diferença de construção entre estar dentro do tecido e estar assente nele.
Qual é o erro mais comum depois da praia?
Secar a coleira ao sol com sal e areia ainda lá dentro. Fica dura, os grãos ficam presos e a fita passa a trabalhar como uma lima em cada dobra. É pior do que não lavar nada.
Vale mais a pena uma chapa ou o nome bordado, para durar?
São desgastes diferentes e não há vencedor. O bordado não se perde do cão a não ser que a coleira saia; a chapa pode cair da argola mas substitui-se por pouco e sem trocar a coleira. É por isso que a informação que muda deve estar no metal.

Sobre este artigo

A Anna escreve como fala: acessível, direta e fácil de acompanhar. Os seus textos falam da vida real com cães: patas cheias de lama por toda a casa, cachorros que roem tudo o que encontram ou um cão que salta para uma po

Este artigo foi redigido com a ajuda de IA e revisto por Anna de Jong, Autora de vida com cães · Amesterdão. Supervisão editorial: Laura de Wit.

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Referências (5)
  1. [1]Hearle, J. W. S., & Morton, W. E. (2008). Physical Properties of Textile Fibres (4th ed.). Woodhead Publishing.
  2. [2]American Association of Textile Chemists and Colorists (AATCC). Test Method 61: Colorfastness to Laundering of Textiles.
  3. [3]Coren, S. (2012). The Modern Dog: A Joyful Exploration of How We Live with Dogs Today. Free Press.
  4. [4]Pavia, A. M. (2013). The Complete Guide to Dog Care. Howell Book House.
  5. [5]Hsieh, Y. L. (2007). Chemical structure and properties of polyester fibers. In Handbook of Fiber Chemistry (3rd ed.). CRC Press.

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